Ficha Técnica

* Título original: Ransom My Heart
* Editora: Galera
* Ano: 2011
* Páginas: 404
* ISBN: 9788501086686
* Tradução: Fernanda Martins
* Mais sobre o livro: Skoob

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* Nota geral: ★★★★½

Finnula é a caçula de seis irmãs e um irmão na Inglaterra do século XIII. Enquanto suas irmãs se contentam em fofocar sobre maridos, crianças e afazeres domésticos, Finnula é alvo de comentários maldosos de toda a vila por caçar nos terrenos do conde e por andar por aí em calças de couro justas! Mas de repente Finnula se vê envolvida numa complicação sem tamanho… Uma de suas irmãs acabou com o seu dote comprando vestidos e bugigangas, e a única forma em que as duas conseguem pensar para recuperar esse dinheiro é muito pouco usual… Sequestrar um lorde ou um cavaleiro rico que possa pagar um resgate! O que ela não esperava é que esse sequestro fosse criar mais problemas do que soluções: o cavaleiro recém-chegado das Cruzadas que é escolhido por Finnula vai acabar se mostrando alguém muito diferente do esperado, e a moça pode acabar tendo que abrir mão do resgate… e de seu coração.

* Capa: ★★★★★
* Trama: ★★★★★
* Narrativa: ★★★★½

Review

Liberte Meu Coração é, tecnicamente, escrito por Mia Thermopolis e acho que essa é a primeira vez que vejo um personagem escrevendo um livro, o que achei simplesmente genial. Obviamente não é qualquer autor que conseguiria fazer isso e escrever sem seus traços característicos, mas ao ler pude ver a essência de Mia e não de Meg Cabot na forma como a história foi narrada. Um fato que torna isso ainda mais fácil é a forma como a história de Mia é narrada pela própria personagem, em seus diários.

O bom do livro é que quem acompanhou a série O Diário da Princesa vai conseguir ver na íntegra o processo que lemos na série de Mia e vai conseguir, ao ler, relacionar as palavras com a história de Mia, seus sentimentos e pensamentos, mas quem não conhece a série O Diário da Princesa não terá problema algum para ler Liberte Meu Coração.

A trama é completamente independente e, embora faça parte da série O Diário da Princesa por ter sido escrita e publicada (literalmente) por uma personagem, não há o pré-requisito de que os dez livros ou os livros especiais da série sejam lidos. Liberte Meu Coração é uma leitura que agradará gregos e troianos.

Em Liberte Meu Coração viajamos à Inglaterra do século XIII com Mia Thermopolis e conhecemos Finulla e Hugo, personagens completamente fictícios tanto na vida real quanto no universo de O Diário da Princesa. Quem leu a série sabe que é bem difícil ler Liberte Meu Coração sem fazer ligações com os livros, tanto que reli os momentos em que Mia estava escrevendo o livro e pude ver as semelhanças e diferenças. Não sei se Meg Cabot fez de propósito, mas a famosa questão “Você se inspira em alguém para escrever seus personagens?” que toda entrevista tem foi respondida pela autora ao fazer com que Mia, ao escrever, se inspirasse.

A metalinguagem e a intertextualidade do projeto são simplesmente geniais. Meg é diva, como todos nós sabemos, mas ao escrever Liberte Meu Coração ela se provou ser uma escritora ainda melhor do que já pensávamos que era.

A narrativa é maravilhosa, a linguagem flui numa mistura de antigo com moderno e há um leve toque dos livros adultos de Meg em algumas cenas, porém nada que deixe o livro indicado apenas para jovens adultos. Por mais que existam cenas mais adultas, estas são feitas de forma sutil e até mesmo levemente bem humorada. Por mais que seja um romance, o humor é uma peça fundamental para a narrativa. Algumas passagens são divertidas e tornam a leitura ainda mais agradável, de forma que o tempo parece não passar enquanto se lê. É simplesmente impossível largar o livro até chegar ao final.

Os personagens são bem humorados, com caracterísitcas marcantes e até mesmo exageradas, como tudo da época na qual o livro se passa. Moral e aparência eram extremamente valorizados, então a forma como alguns personagens exageram na moral e na preocupação com as aparências mostra que além do talento para a escrita, Meg também pesquisou bastante para escrever e caracterizar tanto os locais quanto os moradores que aparecem nos livros, mesmo aqueles cujas aparições são praticamente nulas.

Uma das partes mais legais do livro é que, ao contrário de boa parte dos romances históricos, não há drama drama drama, problemas problemas problemas, mais drama drama drama. Os problemas existem, o romance existe, os obstáculos, as falhas de caráter, o orgulho e todo o resto está presente, mas Meg conseguiu escrever tudo isso de forma que não parece que foi Meg quem escreveu, mas Mia, o que torna o livro incrivelmente jovial tanto no linguajar quanto na forma como os personagens pensam.

Simplesmente genial, recomendo MUITO para os fãs do Diário da Princesa e da Meg Cabot num todo, mas recomendo também à qualquer um que goste de um bom romance, com uma pitada de humor e muito bom gosto. Maravilhoso é pouco: esse livro é divino.

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